quarta-feira, 26 de julho de 2017

Roby Amorim


Durante cerca de um  ano tive a honra de trabalhar  ao lado de uma das figuras marcantes do jornalismo nacional. De forma muito particular,   foi o meu mestre  nos "segredos" de  conduzir uma reportagem.
Palavras de quem o conheceu  mais de perto: 
(...) "Na equipa de reportagem de O Século ele era a figura mais importante", conta Rui Cabral à Lusa, salientando também a sua faceta de "grande contador de histórias", a capacidade para se rir de si próprio ou a "arte de escrever entre as linhas", quando era preciso fintar a censura ...).
(...) Fernando Correia de Oliveira, que trabalhou igualmente com Roby Amorim, lembra na sua página na Internet os desenhos feitos misturando borras de café, ou o "eterno cigarro" e o "saber enciclopédico" do jornalista. Roby Amorim recebeu por duas vezes o Prémio Pereira da Rosa (1971 e 1972) e em 1973 o Prémio Nacional de Jornalismo Afonso de Bragança. "Estava a preparar um romance histórico, baseado na figura de uma avó", conta também Fernando Correia de Oliveira...).
As memórias que ilustram esta página vêm desse tempo, do tempo do "telex" - o jornal.
Roby Amorim, o mestre, faleceu em dezembro de 2013.


terça-feira, 25 de julho de 2017

Como no cinema...







Quem não tem memórias das  "fitas" de cinema protoganizadas  por  esbeltas  mulheres com quem "sonhamos o sonho" de fazerem parte das nossas vidas? Ou nós das vidas delas...
Dos meus sonhos de adolescente guardo para sempre  o encanto desta figura a preto e branco por quem me apaixonei perdidamente - eu, no "outro lado do mundo", do seu mundo...
Há sonhos assim, sonhados como no cinema.

domingo, 23 de julho de 2017

Hoje, sim...

Não sei se é de mim, mas vejo e sinto o dia lindo, lindo - deve ser dele, do dia, ou então das horas a mais que passei enrolado nos lençóis...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O facebook do "tarzan", o gato

Um dos meus gatos nasceu para caçar. E para calcorrear o mundo dos quintais sem cuidados,  pela ausência das pessoas. Não podia ter outro parque de diversões, nem maior, nem melhor - como se fosse o seu facebook...
Como é "meu amigo", tudo o que apanha, deposita no tapete, do lado de fora da porta de entrada.  Se desprezo a caça, ele "fala" e diz   miauuuuuuu  -  e recomeça, brinca, brinca  com a vítima, já inconsciente, morta.  E consome o que mata, quando mata

sexta-feira, 30 de junho de 2017

"Monte dos Vendavais"

Das minhas memórias em papel, acumuladas em mais de meio século, a lembrança de um episódio de que guardo pormenores faz com que viaje ao tempo do liceu e aos meus doze anos de gente.
Aluno do 2º ano do Externato Alves Mendes, em Arganil - famoso na região da Beira Serra pela competência dos professores que o diretor Homero contratava -, tinha chegado o tempo da longa viagem que havia de mudar radicalmente a minha existência. O destino era Lourenço Marques, em Moçambique...
No último dia de aulas fui surpreendido com algumas manifestações de simpatia, mas o gesto da professora de Matemática, de seu nome Lurdes, teve o condão de me despertar o prazer da leitura.
Depois de uma visita à livraria da "Comarca de Arganil", a professora retirou da prateleira um exemplar da obra de Emily Brontë, "Montes dos Vendavais, e numa das páginas interiores escreveu 

-"Para o Carlos, uma lembrança da professora amiga, MLurdes".

Reencontrei-me com a leitura da obra da escritora que usava um pseudónimo masculino: Emily Brontë.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

"telex" - o jornal

Em 1976 fiz parte de um projeto com "pernas para andar", mas ficou sem as ditas um ano depois...
Os proprietários do telex, o novo semanário, sonhavam alto, tão alto que imaginavam destronar o Expresso!
E como o "sonho comanda a vida", eu (regressado de Moçambique) e mais uma mão cheia de jornalistas de gabarito (José Mensurado, Francisco Máximo, João Carreira Bom, Robi Amorim, Samy Santos, etc, etc...) embarcámos no sonho.
No último fim de semana, às voltas com as minhas memórias em papel, dei com alguns exemplares do telex. Como gosto de mudar coisas, alterei o título do sarabanda, o blog - uma mania como outra qualquer.

S.S. - Por qué no te callas? Canta, simplesmente

Fui um dos portugueses que acompanhou a noite passada pela TV o desfile das grandes vozes presentes  no MEO ARENA. 
O gesto solidário de quem participou no espetáculo, que teve por finalidade angariar  fundos para as vítimas  dos violentos incêndios que consumiram pessoas e bens, comoveu a maioria dos portugueses, eu incluido. Quem pisou o palco, como intérprete, cumpriu o seu papel a preceito e deixou recados, também eles solidários. Era o que se "pedia" a quem se "venera".
S.S. é a  "vedeta" nais recentte das nossas emoões . Sou um dos portugueses que aprecia o seu talento e a irreverência da postura com que leva  a Carta a Garcia., mas...
Ontem, o serão do MEO ARENA dispensava palavras brejeiras.
S.S. cumpriu, cantando. O resto era desnecessário.
Por qué no te callas? Canta, simplesmente

domingo, 4 de junho de 2017

Rio Alva - "poeta e sonhador"

Os rios Mondego, Alva e  Zêzere nascem na Serra da Estrela. 

"Conta a lenda que, um dia, discutiram a valentia de cada um e acertaram numa corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor.
O Mondego levantou-se cedo e começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim e pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra.
O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo.
O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus irmãos ao longe.
Tempestuoso, rompeu montes e rochedos, atravessou penhascos e vales, mas quando pensava que tinha vencido deparou com o Mondego, no momento que este já adiantado chegava ao mar. O Alva ainda tentou expulsar o seu irmão do leito, debatendo-se com fúria e espumando de raiva, mas o Mondego engoliu-o com o seu ar altivo e irónico.
Este lugar onde os dois rios lutaram ficou para sempre conhecido como Raiva, em memória da contenda entre os dois irmãos".



terça-feira, 30 de maio de 2017

A praça pública onde se esgrimem argumentos

Há dois anos,
neste mesmo dia, dei corpo ao texto que segue, que me parece oportuno repetir. Insisto: a "praça pública" (...) seria pintalgada de outras cores, com a predominância do vermelho dos campeões – e um pouco de verde, pronto, para satisfação dos meus conterrâneos, nada contentes com a “medalha de bronze”…

Ao longo de quase setenta anos (melhor: sessenta - desconto dez para me situar em Coimbra, no falecido Liceu D.João III, depois no Externato Alves Mendes, em Arganil, e mais tarde no colégio Luís de Camões, em Lourenço Marques...) procurei formatar o caráter e, como qualquer estudante da época, li os clássicos e construi o meu jeito de estar entre os iguais do meu tempo. Hegel, marcou-me de uma forma tão sublime que, de quando em vez, volto à leitura de coisas suas, como é caso da obra Estética - “A ideia e o Ideal” (mas posso citar outras mais, coisas minhas escritas por Hegel, quando me situo no etéreo das dúvidas sobre o meu eu absoluto: existo?). 
Do empirismo das (minhas) teorias com que me dou inteiro, à assunção de um certo romantismo de cavalheiro, em desuso nos tempos de agora, não ouso definição capaz de me aproximar do mestre da Estética – “A Arte Simbólica”. 
Hegel é difícil de entender. “Teimoso” na defesa das (suas) ideias, imagino-o na “praça pública” a esgrimir argumentos sobre a “estética” da mistura de estilos e volumetria de determinadas peças, brancas e cinzentas, e sua utilidade… 
Por mim, a escolher, a ”praça pública” onde se esgrimem argumentos seria pintalgada de outras cores, com a predominância do vermelho dos campeões – e um pouco de verde, pronto, para satisfação dos meus conterrâneos, nada contentes com a “medalha de bronze”…

“…  Chamamos ao belo ideia do belo. Este deve ser concebido como ideia e, ao mesmo tempo, como a ideia sob forma particular; quer dizer, como idealO belo, já o disse, é a ideia; não a ideia abstrata, anterior à sua manifestação, não realizada, mas a ideia concreta ou realizada” - Hegel

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sardinhas, sim, mas das nossas...

Confesso: cometi um "pecado".Possivelmente, serei absolvido, ou condenado, sim, mas a pena leve: amanhã, ao almoço, volto ao bitoque (quem diz bitoque, posso cumprir o castigo com uma feijoada com todos…).
Gosto de sardinhas assadas na brasa, de um  copo de bom tinto e uma fatia de broa - almoço perfeito!
Não sendo verão, deixei-me levar pela funcionária do mini mercado quando publicitava aos clientes a “maravilha” das sardinhas pescadas nas águas de Marrocos – tão boas, mas tão boas que pingam no pão, dizia. Então, quero uma embalagem, se faz favor…
Descongelei três “bichinhos”, temperei-os com sal grosso, acendi o lume e quando as brasas estavam “quentinhas” levei a grelha ao sacrifício…
Entretanto, no fogão, estavam a cozer quatro batatas novas com casca, das grandes…
Cumpridos os rituais de uma boa sardinhada, quando é verão e o azeite é da casa, esmerei o apetite: retirei uma posta do lombo de um dos bichos, levei-o à boca, mas …. ohhhh, o sabor era  quase nada!
Eis, pois, o meu pecado “capital”: adiantei o verão no calendário dos meus apetites e deu nisto: as batatas, o azeite, a broa e o tinto justificaram as minhas pressas, mas as sardinhas...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A formiguinha



















"Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou: 
- Ei, formiguinha, para quê todo esse trabalho? O verão é para aproveitar! O verão é para nos divertirmos...
- Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo para a diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno (...)".

terça-feira, 23 de maio de 2017

"A árvore da vida"

...nota-se nas palavras 

Conheci a Sara - onze anos, com quietude no olhar e  gestos suaves. O sorriso, meio envergonhado, nota-se nas palavras, 
de meia dúzia de palavras 
- tempo da curta conversa,  com o beneplácito do avô na partilha de emoções. 
São silenciosas as lágrimas da Sara  quando o  familar mostra "A árvora da vida" - poema que a Sara desenhou  com a ternura das palavras, 
de algumas palavras  
- as suficientes e as que melhor identificam os seus sentimentos por um ente querido.
A Sara, "por dentro", é assim:


A árvore da vida

Nem quando a última pétala tiver caído,
Sobre o teu rosto enrugado,

Eu nunca te vou esquecer,
Estarei sempre ao teu lado.


Nem quando a última folha tiver secado
Sobre os teus olhos cansados

Vou te sempre amar
Beijando os teus pés calejados.


Nem quando o último ramo tiver partido
Sobre o teu corpo delicado

Eu vou estar sempre aqui
Olhando por ti, amargurado.


Mas o tronco nunca desabará
Pois ele é amor e perdão

É paciência, é carinho
Dentro do meu coração.

Afinal que árvore é esta
Nem a rosa nem a margarida
Sabem que esta árvore especial

É a árvore da vida.

*


quarta-feira, 17 de maio de 2017

... de tirar o chapéu


A última semana passou  às memórias de quem as tem, principalmente se
- aprecia o Papa Francisco
- gosta de "Amar pelos Dois"
- vibra com as vitórias do Benfica.
... Além destes  três "gostos", recebi a  confirmação de que o meu sinalzinho de trazer por casa está, de facto,  morto e enterrado, como o Doutor Eufrásio tinha previsto!
Sou um sortudo.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Como sempre, vestido de branco

Liguei a televisão. O avião que trazia o Papa Francisco planava no écran.
Preso à comodidade do sofá, fui ficando, ficando.... fiquei até ao fim - não perdi pitada das primeiras horas do homem vestido de branco em solo português!
Perdi a conta  aos minutos - alguns  deles vivi-os emocionado até à medula. 
O sorriso do Papa, os gestos do Papa, as pessoas, todas as pessoas - milhares!- em silêncio, quando foi caso disso - o silêncio de  tanta gente e (...) o tempo que tarda em passar /e aquilo em que ninguém quer acreditar (*).
Digo à Rita: 
- gostava de ter a Fé daquela gente,  se não de toda a gente, de alguma daquela gente...
- não tens essa (Fé) mas tens outra(s), disse a Rita...
"Às vezes é no meio de tanta gente / Que descubro afinal aquilo que sou / Sou um grito / Ou sou uma pedra / De um altar aonde não estou" (*) ...
-
(*) Retirado do poema de Maria Guinot " Silêncio e tanta gente"

"Aquilo" deve ser rápido...

Anda por aí um profano (logo agora, com o Papa Francisco a caminho de Fátima...) a anunciar que vai começar a terceira  guerra mundial! Está por dias - disse  ele, o profano!
Os pormenores, embora desconhecidos, adivinham-se: uns senhores  "de bem" e importantes carregam em botões e os  "foguetes" fazem puuummmmm - sabe-se lá onde!
"Aquilo" deve ser rápido...
Espero eu que os senhores "de bem" e importantes, nos entretantos, tenham congeminado uma espécie de  "Plano Marshall"  para juntar os cacos e começar tudo de novo, mas com outra gente. Talvez  uma ajudinha dos nossos vizinhos e amigos alienígenas dê jeito.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

À distância dos sentidos

Assumo a  minha aversão à violência – seja ela física ou verbal.
Da primeira quero distância; se preciso for,  aproximo-me da segunda - aguento-a com tento na língua e vou à luta quando o opositor justifica que esgrima argumentos. Não sendo de guerrear, travo as batalhas  que forem precisas.
Admito as minhas fraquezas e a ignorância do desconhecido: apenas sei “ler e escrever”, e a inteligência não me presenteou com a erudição dos predestinados.
O caráter, esse desejo-o firme não importa quando, onde e porquê – sendo humano, caio e levanto-me as vezes que forem precisas. 
Obviamente recuso-me a existir de joelhos no limbo da minha consciência, que morrerá inteira se para tanto o juízo não me atraiçoar …
Aprecio o belo de cada coisa e olho o horizonte com a atenção que é devida ao Universo. Mais perto, à distância dos sentidos, a sensibilidade de que sou capaz permite a paixão do amor - de todo o amor! Assim sendo, insisto na denúncia da minha teimosia: gosto, porque sim, sem nenhuma explicação adicional para este mau feitio de quem permanece fiel à estética do amor.
Ponto.
.
... de volta ao "Confessionário" - 21 de setembro de 2011

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Não fez sangue, mas...

Ando preso a uma dúvida sobre o meu relacionamento com os gatos cá de casa. Será que esta “família por adoção”, quando estou longe do ASUS, vai cuscar as notícias?
Hoje, por ser hoje, os animais de companhia, diz a Lei, deixam de ser “coisas”.
Como é que a Banzi “soube”?...
A “tia” Banzi” sempre foi uma sujeitinha muito senhora de si, é verdade, e não admite “parcerias”  nos afetos  - EXIGE os miminhos só para si!
Também é verdade que, quando se enrosca perto de mim, fica num permanente rom-rom, olha  e “diz coisas” - coisas, palavras de gato que não entendo.
Há pouco, tendo eu os dois braços disponíveis, ela ficou do meu lado esquerdo, como sempre, e os gémeos do outro. A Banzi não tardou a mostrar "má cara", e os “sobrinhos” fugiram dos meus cafunés. Depois, como lhe “disse” que isso não abonava a sua postura, perfeitamente egoísta e de má vizinhança, ameaçou com uma mordidela. Não fez sangue, mas deixou marcas na minha mão…
Não consigo fazer-me entender quanto aos meus préstimos ao serviço da comunidade cá de casa, composta por mim, a Banzi, o Tarzan  e o Saguim.
Os gémeos adoram vadiar; a Banzi, lá por  “passar” o tempo todo em rons-rons, não significa que tenha direitos extras, isto é: “fora da lei” da fraternidade e da igualdade em que fui educado…
É aqui que a minha ingenuidade, cá por dentro, faz das suas: sei agora que existem (alguns) gatos que “pensam e agem” como (algumas) pessoas…



sábado, 29 de abril de 2017

Nas mãos de quem sabe

Perdi a conta (?) aos anos que me separam de uma certa noite de sábado, que podia ter sido a última entre o número dos vivos.
Sem saber como, no meu RiTuAL Bar, caí atrás do balcão. O que aconteceu a seguir pertence ao mundo do "não me lembro", mas tenho presente que "acordei" com a voz mansa do João Paiva:
- Alguma quebra de tensão, nada de mais, mas é melhor ir ao médico…
O Paiva continuou gentil, tão gentil que me transportou no seu carro ao Centro de Saúde. 
Passava das dez da noite, havia imensa gente à espera de consulta, mas como "ameacei" com novo desmaio, levaram-me quase ao colo à presença do doutor Herdade. Desse momento até ser encaminhado para uma ambulância de "teto alto", a pedido do médico, passaram-se poucos minutos...
A caminho dos HUC, sob a proteção de um enfermeiro, aconteceram outras peripécias sem muitas lembranças. 
Quando "acordei", nos HUC, estava rodeado de médicos e enfermeiros, e a minha filha Ana Rita estava com cara de caso, mas sorriu quando trocámos olhares.
Durante quatro dias fui tão bem tratado, que me considerei "um VIP"!
Volvidos “não sei quantos anos”, continuo a sentir-me “VIP" quando vou aos HUC…
…e agora no IPO, em Coimbra, por causa de um sinalzinho de trazer por casa, mantenho o mesmo “estatuto”.



terça-feira, 25 de abril de 2017

.. e fui pela esquerda (...)

Por volta das oito da manhã, todos os dias, os gémeos cá de casa "batem" à porta do meu quarto e "falam" de mansinho, certamente com a intenção de lhes abrir a porta em sossego; de outro modo, eu em sobressalto,  sou (?) bem capaz de  barafustar  um raspanete ao estilo de um bruto,
- mas isto são horas de acordar um homem "justo"?
Já no quarto, os gémeos levantam a "voz", sem exageros, encaminham-se para a janela e  "suplicam" liberdade
- deixa-nos sair, dar uma volta...
- saltem - sei que uma  voltinha representa horas de passeio, mas se  são felizes assim...
Hoje, para cumprir o ritual, "obrigaram-me" a madrugar ainda o ponteiro das horas estava longe das oito. 
Estava num sonho tão lindo, quase real, e estes  "sujeitos" cortaram o fio à meada. "Zangado", atirei a roupa da cama  para o meu lado direito e fui pela esquerda abrir a porta do quarto.


sábado, 22 de abril de 2017

Kiko - “papoila saltitante”

A mensagem dizia que (…) o Kiko foi convidado para jogar por uma seleção de jogadores das escolas do Benfica da zona de Coimbra no fim-de-semana passado. Jogou pelos benjamins e pelos infantis e ganhou o torneio em ambos os escalões (…) !

Ora, o Kiko “sou eu” em tempos idos, com os sonhos do Kiko - sonhos iguais aos do Eusébio, do Rui Rodrigues (Académica e Benfica) e do Brassard (Académica), meus “vizinhos”  e adversários em Lourenço Marques…
Papoila saltitante” (nem que seja uma única vez!) e “ter na alma a chama imensa” está ao alcance de alguns - dos que o sol (…) “risonho vem beijar/com orgulho muito seu” quem veste (…) “as camisolas berrantes”!

Vestido “à Benfica”, o nosso Kiko já tem memórias para partilhar com  o avô paterno dentro delas…

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Passeio noturno sem GPS

Os gémeos de quatro patas que tenho em casa, a noite passada, portaram-se mal - tão mal que me afastaram do sono. 
O passeio higiénico a seguir ao jantar, desta vez deu para o torto e os "meninos" possivelmente deixaram em casa o GPS  - é a única explicação que encontro para a noitada  fora de portas.
Pensando melhor: talvez  tenham encontrado  alguma princesa com bigodes; rom-rom para aqui, rom-rom para acolá e foram andando, andando até ao desnorte...
Por mais que chamasse pelos sujeitinhos, nada - nem um miau, a "dizer": estamos aqui, vamos já - é só o tempo de dar "cabo do canastro" ao ratito, que ainda mexe. Sim, estes "miúdos" adoram caçar, saem à mãe, a Satori, sobretudo o mais crescido no tamanho; crescido, sim, mas medricas que só visto.
Um dia da semana passada, estava eu ocupado nas minhas leituras quando   ouvi forte miauuuuuuu  aflitivo, ao jeito de pedido de socorro - “depressa, acudam aqui”!!!
Fechei o ASUS  à pressa, a "tia" gata Banzi  desceu as escadas  do primeiro andar numa correria, abri a porta que dá para o quintal  e avançámos, destemidos, pelo capim, (eu de) olhos postos  nos cocurutos das oliveiras, mas foi na pernada mais grossa da cerejeira que descobri o "medricas". Mais abaixo, um “gato mau”,  de pelo preto, "fuzilava com o olhar" o gémeo "Saguim". Do irmão, o "Tarzan", nem sinal! 
Deitei ao ar   dois ou três palavrões, o gato mau  “percebeu” que eu  também era "mau"(e dizia palavrões!), deu um salto acrobático digno de atleta circense e pirou-se.  
Na noite passada, como ia dizendo, se alguma coisa  má tivesse acontecido, não seria  por falta de  aviso, não : "olha o gato mau que te dá uma coça"; "não vás para longe, ainda és atropelado"; "nada de meiguices para quem não conheces, ainda te raptam" - coisas assim, de "tio" crescido...
Hoje, às oito da manhã, espreitei pela janela da marquise - lá estavam  os "meninos",  no telhado da churrasqueira, olhos fixos na janela: “então, não nos abres a porta"? Ai estão aí? - para castigo, é aí que vão continuar. Eu, o “tio” mau, o "castigador"!
Quando regressei ao meu quarto, estavam os dois sentadinhos no lado de fora,  no parapeito da janela, tristinhos, tristinhos....
Agora estão aqui, dormitam no sofá, ao meu lado.
...E ainda não puseram o "pé" na rua! É muito bem feito - quem os manda  andar na galderice?

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Bolinhas de pelo curto

Texto adptado do original publicada em abril de 2009 com o título
"Seis pompons na beira da estrada"



Ouvi na rádio que a Câmara Municipal de Arouca, no distrito de Aveiro, está a projetar no terreno uma iniciativa fora do vulgar, tendo em vista dinamizar o turismo rural.
Recorro à página oficial da “ANCRA” - Associação Nacional dos Criadores da Raça Arouquesa” e fico a saber que “…as vacas adultas, de manhã são levadas para o monte onde passam todo o dia e só regressam já de noite. Os vitelos ficam na "corte". Mamam antes da vaca sair e quando ela regressa do monte…” .
Portanto, a estória que ouvi de fugida, tem a ver com esta espécie de gado bovino que se alimenta nos baldios da região, mas o que prendeu a minha atenção foi o pormenor da ideia: qualquer um de nós pode adquirir um animal desta raça (ou mais!), que terá um chip incorporado no dorso de modo a ser localizado com facilidade enquanto vagueia pelos montes. A entidade responsável pelos cuidados dos animais, sedeada no local, a qualquer hora do dia, pode ser contactada pelo proprietário e este, se desejar, pode visitar o seu animal no habitat natural. O dono também pode negociar a sua  vaca com quem entender, mediante certas regras, etc, etc.
Interessante, na minha opinião, a iniciativa, quase cópia do que o Jardim Zoológico pratica quando decidimos “apadrinhar” determinado animal, contribuindo para o seu sustento. 
Por falar em “apadrinhar” animais - agora começa outra estória, inspirada na iniciativa da Câmara de Arouca-, há uns tempos atrás dei de caras com duas raposas, ainda jovens, penso, que se cruzaram comigo quando ia para casa, noite alta. Apesar de conduzir devagar, diminuí ainda mais a velocidade do Renault e fiquei a vê-las, por segundos, numa “luta” sem intenções perigosas. Terminada a brincadeira, foram à vida, atravessando a estrada. A partir desse dia, pelo menos uma está “à minha espera”(?), e logo que a luz dos faróis a ilumina, levanta-se, olha para “mim”, e passa para o outro lado, perdendo-se no mato que, por ali, é rasteiro.
Acredito que os progenitores andem por perto, mas como as “nossas relações são pacíficas”, não creio que “aconselhem” os filhotes a mudarem de pouso.
O mesmo “dirão” os esquilos que, de quando em vez, vejo saltitar nos carvalhos, durante o dia, ou os “Saca Rabos” (espécie de gato bravo) quando procuram caça. 
Surpresa maior: há dois dias, depois de (mais) uma curva, reparei que estavam uns “pompons” enroscadinhos na berma da estrada. Parei, as bolinhas de pelo ganharam vida e, meio assustadas, esconderam-se na valeta pouco profunda. Contei quatro cachorrinhos matizados, entre o branco e o preto, alguns com tons de cinzento no pelo.
Como não tenho uma vaca “Arouquesa”, e como não sou “padrinho” de nenhum animal em cativeiro, assumi a responsabilidade de alimentar, pelo menos uma vez por dia, os “meus pompons” - que afinal são seis e não quatro! - mais a mãe, baixota e feia de tão magra, mas que “sorri” abanando o rabo quando me vê.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Possivelmente "sou daqui"...







Existe em mim tamanho encanto por este sítio que faço dele coisa minha, como se fosse mesmo minha e só minha. 

Alguma razão terá o meu subconsciente para reagir em total sossego quando encaminho os passos para o "meu" sítio. 


Se tenho sede de "música" nada melhor do que a estereofonia das águas do "meu" rio - confortam-me o espírito como só eu sei!


O Urtigal é pedaço de paraíso na Terra, mágico - não pelos ofícios humanos mas pela obra da mãe Natureza, tão pura e perfeita. Possivelmente "sou daqui", apesar de impuro e imperfeito...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Albertina e Dionídio

Para sempre – 50 cartas de amor de todos os tempos”, é uma pequena enciclopédia com mensagens, frases, reflexões e imenso romantismo


(Imagem recolhida na net)

O filósofo Jean Jacques Rousseau dizia que elas, as cartas, “começam sem saber o que se vai dizer, e terminam sem saber o que se disse". Álvaro de Campos, foi mais longe e deixou para a posteridade outra frase célebre: “todas as cartas de amor são ridículas…”!
O livro Para sempre – 50 cartas de amor de todos os tempos”, reúne textos de várias personalidades, de Beethoven a Chopin, de Franz Kafka a Fernando Pessoa. Os homens não diferem muito nas questões do coração quando o descobrem apaixonado e, por vezes, retratam o sentimento de forma tão sublime quanto pueril…
Para lá das cartas trocadas pelos amantes, há estórias (de amor) cujos relatos nem sempre têm um final feliz: “Tristão e Isolda”, de autor desconhecido do século XII (?), ou “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, são disso exemplo. Felizmente, tal não aconteceu, em 1945, ao casal Albertina e Dionídio, residentes em Meda de Mouros.
A força da paixão dos jovens amantes levou de vencida as contrariedades ao muito bem-querer com que enfeitaram os sonhos, como adiante se conta ao correr da pena, surripiado o relato do livro “Meda de Mouros e as suas gentes”, de Salvador da Costa e Luís Castanheira.
Albertina de Jesus e Dionídio Pereira namoriscavam-se e disso não guardavam segredo. O entusiasmo do primeiro amor, naquele tempo, era capaz de quase tudo, exceto contrariar interesses familiares.
Entretanto, Eduardo, viúvo, industrial de panificação, bastante mais velho, entendeu alargar os “apetites apaixonados” e declarou-os à Albertina e aos pais, que se mostraram “sensíveis” aos seus interesses…
- Nunca! – terá dito a conversada do Dionídio.
Porém, a insistência foi tanta que a pobre rapariga, por respeito (ou medo?) aos progenitores, acedeu. Ela e o Eduardo, o viúvo, à socapa, foram comprar o enxoval, mas não se rodearam de grandes cuidados e a notícia não tardou em chegar ao conhecimento do Dionídio que, “(…) perdido de amor, adoeceu, ficou acamado, recusou alimentar-se e dizia à mãe que morreria se não lhe fossem buscar a Albertina”! A senhora, perante a dor do seu amado filho, implorou aos pais da Albertina que tivessem em conta o amor de ambos, mas de nada valeram as lágrimas, que certamente terá enxugado com uma das pontas do xaile negro com que se cobria. Conta-se, na estória, que a senhora, “(...) com o espírito amargurado, caminhou em clamor pela rua acima…”.
Perante tamanha “safadeza”, dois amigos do apaixonado Dionídio convenceram-no a raptar a amada, e logo engendraram um plano, que passava pela ida da Albertina à fonte, ao anoitecer, onde havia de explicar-se, olhos nos olhos, ao seu Dionídio. Nada consta sobre os pormenores do “rapto”, mas sabe-se que ela deixou a rodilha e o cântaro na fonte e refugiou-se na casa de um dos mentores do ato, o Augusto Lopes.
Luís Pereira, pai da Albertina, quando sobe da “tragédia” foi em busca da filha, na companhia de dois irmãos desta. Chegados ao refúgio, vem a Albertina e, com lágrimas a rolarem pela face, corajosamente enfrenta os familiares, afiançando-lhes que só se casaria com o Dionídio. Conformados, pai e irmãos, regressaram a casa….
Algum tempo depois realizou-se o casamento da Albertina e do Dionídio, que  foram felizes para sempre!...
Do viúvo Eduardo nada mais se sabe. Possivelmente, carpiu mágoas junto à ponte “romana” do Cadoiceiro, em Meda de Mouros…
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Publicado em junho de 2009 no "Correio da Beira Serra"

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sinalzinho de trazer por casa

As pessoas mais chegadas, nos últimos tempos, iam dizendo
- mostra ao médico esse sinalzinho que tens  na  cara, já mostraste?
Respondia 
- não, o sinalzinho é de estimação - atalhava, com o meio sorriso de quem está sem preocupação de maior. 
Como o sinalzinho estava implantado junto à orelha, certo dia a escova de cabelo deu-lhe um "chega para lá" e  ele, o sinalzinho,  não gostou...
Ferido na honra, o sinalzinho nunca mais voltou ao que era antes, sossegado, arrumado. Uma lágrima de Betadine e pronto - cogitava, cioso  do meu sinalzinho de trazer por casa. 
Para o Doutor Gama, era um não assunto, "mas  para ficar descansado vou marcar uma consulta num dermatologista". Chegou a confirmação da consulta, sim, para noventa dias depois!
... Até que entra  em cena o "anjo da guarda" que dá pelo nome de Carla, a enfermeira  (...) que se assume de corpo inteiro  à  arte sublime de cuidar do seu semelhante pelo gosto de gostar da sua profissão  (...),
Primeiro a Carla, "anjo da guarda",  depois o Doutor Eufrásio, o mestre,  batizaram o meu sinalzinho com nome de  "gente importante": Basalioma!  
Importante, era - por ser chato. Só isso!
Depois dos  indispensáveis  procedimentos, na última segunda feira, no IPO de Coimbra, o meu sinalzinho entregou a alma ao criador - e foi muito bem feito: onde é que "já se viu" um simples sinalzinho dar ares de importante?
Agora, quem  avista o penso que resguarda o local  onde  estava implantado o meu sinalzinho, questiona  com riso malandro
- "arranjaste namorada com  temperamento fogoso, "sem nenhum tipo de frescura" (ler com sotaque brazuca), ou quê?
- Ou quê - respondo!


quinta-feira, 6 de abril de 2017

sexta-feira, 31 de março de 2017

Um punhado de terra

Dou comigo a reviver “estórias” vividas no “outro lado do mundo”.
Desse mundo sobram recordações do menino que aí cresceu e se fez homem entre “matateus e eusébios”, e partiu à descoberta do futuro nas asas do mítico concerto de Woodstock, em Agosto de 1969. 
No “outro lado do mundo” nasceram e morreram paixões - menos os sonhos da “Pedra Filosofal” de António Gedeão...
É por isso que guardo um punhado de terra “desse lado”; quando chegou, mergulhei nela o olfato e as duas mãos, quase em êxtase!

Quem cala a emoção?

 "(...) calar uma emoção tão salutar como a inveja, que é o desejo de estar melhor (e não necessariamente o desejo de o outro estar pior), leva a quê? Ao sufoco, à castração emocional…” -   Rui Zink.


quarta-feira, 29 de março de 2017

“Pronúncia do Norte”

Nascem sonhos durante o sono que “só visto”, 
quer dizer: 
- são mesmo sonhos, sem pitada de verdade. 
Os sonhos 
que surgem do nada, 
dependem das memórias que guardamos 
e  os sonhos trazem à luz do dia 
(neste caso, à “luz” da noite…). 
Guardamos memórias, 
é verdade, 
e sonhos que são autênticos sonhos, 
como ganhar um grande prémio  no euromilhões!
Na noite passada, 
de tantas rosas me passarem pelas vistas, 
tive um sonho lindo, 
lindo de sonhar 
– tão lindo que, 
quando acordei 
dentro dele, 
estava preso num abraço inteiro...
em que nada fica(va) de fora... 
(De beijos com sabor a “flor do jasmim (…),
“ à Clarck Gable e Vivian Leight”, 
silêncio absoluto).
Um abraço 
assim 
só pode ter 
pronúncia do Norte”! 
Por mais voltas que dê à "moleirinha" 
não encontro a Sul, Este ou Oeste 
outro sonho com este perfume, 
que era autêntico 
- juro que era. 
Nada de Chanel, talvez Je Reviens, a fragrância dos meus vinte anos….
Há sonhos 
que nem sonhados 
são/foram “reais”!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Cimbalino à moda do Porto

Mesmo por cima da minha cabeça, a quilómetros de altura, uns quantos aviões, diariamente, insistem em percorrer os mesmos caminhos, entre a partida e a chegada; eu estou no "meio" da provocação  dos meus sonhos: Açores e Maputo são os  "próximos destinos",  mas ninguém os adivinha. Como não tenho maneira de me fazer ouvir daqui de baixo, os aviões nem "param" para a boleia que lhes peço,  dedo grande no ar...
... O melhor é embarcar num "expresso"  e  sair no Porto. Tenho prometido um "cimbalino" para quando me der jeito a viagem.

(Adaptação de uma croniqueta publicada em outubro  de 2012)

segunda-feira, 20 de março de 2017

Uma flor - uma bela flor

Determinada flor é, em primeiro lugar, uma renúncia a todas as outras flores. E, no entanto, só com esta condição é bela.
Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 19 de março de 2017

Quando sorrir é o melhor disfarce

Fui a uma  consulta de cardiologia.
O médico que me recebeu era simpático e  competente - estou  certo disso...
Não apresento queixas, mesmo assim entendeu que o colesterol precisava de uma ajudinha para vir por aí abaixo na escala dos valores que considera ideais para quem tem problemas cardíacos, como é o meu caso. Vai daí, alterou-me a medicação e foi explicando, tintim por tintim, como serão úteis as diversas substâncias que compõem os novos comprimidos, possivelmente minúsculos, como eram os anteriores.
Fixo a posologia, mas quando percorre caminhos enviesados para o meu entendimento, limito-me a ouvir “palavrões” do estilo: Rosuvastantina, Ezetimiba, Perindopril
Continuo “sem fala”. 
- “Percebeu?”, perguntou - quer que lhe responda com um sim, não, ou talvez, e eu sorrio, que é a melhor das respostas quando se é leigo no assunto. Acho que todos nós, os doentes, e mesmo aqueles que o não são, devemos "responder" ao médico com um sorriso. O doutor não se obriga a grandes explicações, se dissermos “não, não percebi patavina”, ou então, “sim, senhor doutor, percebi” , ele sabe que estamos (quase sempre) a mentir. Portanto, "sorrir amarelo" é uma boa resposta (se fosse verde, era sinal de que tínhamos percebido; vermelho, seria o mesmo que dizer “troque isso por miúdos"...).
Um "sorriso colorido" é, pois,  a salvação de quem está perante alguém que sabe mais do que nós sobre qualquer matéria, a não ser que estejamos numa sala de aula, onde o mestre tem por missão ensinar e o aluno aprender...

terça-feira, 14 de março de 2017

Nas asas do sonho, a caminho do Piódão

No dia 31 de Março de 2009 fiz publicar no "Correio da Beira Serra" (http://www.correiodabeiraserra.com/nas-asas-do-sonho-a-caminho-do-piodao/)  esta croniqueta, que volta à luz do dia depois de alguns acertos; os caminhos estão bem melhores e o Piódão ganhou nova alma depois das obras de requalificação. O texto original continua fiel ao "convite" que fiz  à "Lena" - era, é, e continua a ser uma amiga que muito prezo...
...E como a Mata da Margaraça comemora 35 anos da Área Protegida da Serra do Açor,   o convite, desta vez,  inclui um chá da carqueja da "minha" serra...

“Lena”:
Há dias lembrei-te as férias que Agosto coloca no passaporte; agora sugiro que vás para fora… cá dentro!
Como o vai/vem das ondas do mar cansa alguns sentidos, e a “tua” serra tem as vertentes pouco íngremes, convidei-te, se bem te lembras, para uma visita ao Piódão, que fica logo ali, do outro lado da “minha” serra.
Se decidires aceitar o convite, ficam garantidos horizontes fascinantes, para lá de todos os montes, precipícios de meter medo e, bem lá no fundo, aldeias inteiras que nem imaginas com vida – mas ela existe, e as pessoas sobrevivem às custas daquilo que a terra dá e pouco mais…
Aconselho o percurso mais curto; se vieres desses lados, de cima, entra por uma das” Portas do Açor”, em Coja, ou pela “outra Porta", no Barril de Alva; segue em frente e fica atenta às  placas que indicam Benfeita; segues… segues… segues e logo encontras a pitoresca Benfeita. Continua até à "Fraga da Pena" - visita obrigatória. A seguir, Pardieiros. Faz uma pausa e vai "bisbilhotar" o artesanato - compra uma colher de pau do tamanho que te der mais jeito transportar,  e prossegue a viagem até à Mata Nacional  da Margaraça - mais uma paragem obrigatória. Com sorte, talvez encontres o Nuno, responsável pelas visitas guiadas; simpático, o Nuno é o cicerone da Mata, muito qualificado para o efeito. A seguir, Monte Frio, lá no alto. O Piódão é para “este lado”, para a direita...
Se vieres com sede de água fresca, a meio da viagem tens a fonte do “Pião”; da mão fazes concha, e bebes até doer a garganta, porque a água chega gelada ( ou quase…).
Com a sensibilidade à flor da pele, já deste como boa a minha sugestão, e ainda não chegaste ao alto do Piódão, falta pouco…
Não te apresses … parece que te deu uma “coisa”: num segundo ficas com o olhar preso naquele amontoado de casas escuras, muito juntinhas – parecem uma só, com muitas dependências!
Pára e olha, com os olhos da alma...
Então, não dizia? Ficaste sem palavras perante o panorama incomensurável que vais guardar para todo o sempre no arquivo da memória!
Antes de desceres, deves perfilar-te perante a lembrança dos passos de Miguel Torga, que por ali andou e aí se “despediu de Portugal”, “com o protesto do corpo doente pelos safanões tormentosos da longa caminhada…”. A “pedra bruta”, com a frase completa, está mesmo aí, à tua frente, depois daquelas urzes, vês?
Continua a viagem devagar; se decidires pernoitar na Pousada do Inatel, garanto o silêncio dos montes, a gentileza e o profissionalismo do pessoal.
Finalmente, Piódão!
Repara no casario com o xisto à vista, exceto a Igreja - o monumento tem o branco de todas as purezas, como  o ar que respiras...  
A partir daqui, não te conduzo os passos, mas vai por mim dar uma palavrinha ao senhor Lourenço, que tem uma venda com o seu nome. Mas só uma palavrinha; se for com a tua cara (é que vai mesmo, sendo tu como és…) não te larga com estórias – mais de mil! - que diz ter escritas em setenta agendas! Já agora, dá um salto ao “Solar dos Pachecos” e prova um dos deliciosos licores que tens à disposição, mas aquilo trepa, se abusares, já sabes...
No regresso, sugiro que sigas em direção a Vide. É mais longe, mas compensa.
A meio caminho, encontras Chãs d’ Égua. Vai com tempo para ficares largos minutos na descoberta de vestígios de Arte Rupestre. Mais à frente, Foz d’Égua - casas, pontes, uma delas suspensa, única. Tudo parece arrumado no tempo, à exceção das estradas e caminhos por onde se chega mais rápido – estradas e caminhos que a população usou para fugir das leiras, das encostas, dos animais que parece nunca terem existido, e das pedras, das pedras com as quais se construíram casas… cobertas de pedras.
Para voltares basta seguires as “placas”, mas se trouxeres o GPS, nem delas precisas!
Convencida?